Como lidar com os filhos na adolescência

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por Luciana Kotaka

A adolescência é uma fase que vem tirando o sono de muitos pais que não sabem como lidar com as oscilações de humor e comportamentos dos filhos. Quando paramos para nos lembrar desse momento de nossas vidas, muitas vezes não identificamos os mesmos comportamentos, até porque vivemos em uma época mais tranquila, sem muitos estímulos como hoje, o que talvez tenha sido mais fácil para nossos pais.

A questão é que quando nós, que passamos por essa situação, nos confrontamos com a realidade de sermos educadores e responsáveis pela educação e criação de nossos filhos e aí a situação muda, ficamos aflitos e muitas vezes desnorteados, sem saber ao certo qual a melhor forma de agir. Gosto muito de deixar claro que muitos de nós, me incluo também, nos sentimos confortáveis com os filhos quando estes são obedientes, vão bem na escola, recebemos elogios pelo bom comportamento e ainda não querem ficar indo a baladinhas.

Claro que ficamos mais tranquilos e felizes com isso, mas até que ponto ter um filho obediente e tranquilo é saudável? Aposto que muitos de vocês poderão não concordar, porém a adolescência normal dá trabalho, muito trabalho. Criamos nossos filhos de acordo com as regras que acreditamos serem corretas, valores que nos foram passados e que passamos a eles sempre no intuito de educá-los para que possam crescer com caráter e dircernimento do que é certo ou errado.

Ensinamos a eles que respeitem desde os professores até os zeladores da escola, que cumprimentem os amigos, que possam respeitar as diferenças com os irmãos, amar e respeitar sempre. Mas de repente isso começa a mudar o nossos príncipes, ou princesas, começam a nos enfrentar, responder ou ficam de mau humor, se trancam no quarto e não entendemos, ou melhor, não conseguimos resolver essa situação.

Calma, tudo tem solução, só não temos a garantia do tempo que cada filho permanecerá com esses comportamentos, mas normalmente essa fase passa e tudo retorna ao normal. Então quando disse acima que passamos a eles uma série de valores e verdades que para nós faz sentido, percebemos que aos poucos tudo isso vai perdendo o valor, pelo menos é a nossa primeira impressão.

O que começa a acontecer é que com a maior convivência com outros adolescentes e suas  famílias eles vão compreendendo que existem várias realidades e também formas de viver e de se educar diferente da que ele aprendeu em casa. Imaginem só a confusão e a frustração que alguns adolescentes sentem nesse momento, é como se o mundo virasse de cabeça para baixo e se sentissem injustiçados com algumas situações e/ou diferenças de comportamentos que começam a identificar. Isso me lembrou de uma paciente que relatou que tinha uma filha antes do intercâmbio e outra filha que voltou totalmente diferente da filha que conhecia. O que será que aconteceu lá em outro país onde viveu uma outra realidade tanto financeira quanto cultural?

Ela não sabe, porém hoje precisa aprender a se comunicar com uma pessoa para ela desconhecida, da qual não aceita abraços, carinhos e confronta os pais o tempo todo. Já que minha paciente não descobriu qual foi o fator que fez diferença a ponto de mudar o comportamento da filha, então o que ela precisará fazer para tentar remediar e mudar sua relação com ela?

Sei que a resposta pode ser insatisfatória para muitos, mas infelizmente nós pais não temos outra saída a não ser nos reinventar como pais e buscar novas formas de abordagem para tentar chegar mais perto de nossos filhos. Buscar outras formas de comunicação que não seja a que estávamos acostumados, e muitas vezes isso trará muita dor e insatisfação, mas é o começo da mudança e nós como pais iremos nos confrontar com tudo o que sempre acreditamos como correto, reavaliaremos toda educação e toda forma de amor que até então achamos correto.

Um caminho que sempre ajuda muito é buscar uma terapia para o filho e pode ser que tenhamos uma surpresa e nós é que iremos parar na poltrona do psicólogo. Absurdo? Não! Eu mesma já passei por isso e acreditem, foi bom demais. Sei que ler um texto não mudará a realidade que enfrentará ao sair da frente do computador, mas com certeza poderá servir como alerta de que algo não está bacana e cabe a nós como pais buscarmos a solução, já que os filhos ainda não têm segurança, percepção e amadurecimento para mudarem sozinhos.

Comentários
  • Chris Ferreira

    Luciana, adorei o post e a abordagem. Realmente precisamos nos reinventar a cada nova fase dos filhos e para cada filho ja que os comportamentos sao diferentes diante das mesmas etapas. A ajuda profissional e sempre uma otima opcao que nos esclarece e mostra outros caminhos a seguir.
    beijos
    Chris
    http://inventandocomamamae.blogspot.com.br/

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