Especialistas indicam que se manter ativo é o mais indicado na velhice

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participação Luciana Kotaka

“Se você é jovem ainda, amanhã velho será, a menos que o coração sustente a juventude, que nunca morrerá. Existem jovens de oitenta e tantos anos e também velhos de apenas 26, porque velhice não significa nada e a juventude volta sempre outra vez.” Esses versos são do incrível e popular dramaturgo mexicano Roberto Gomez Bolaños, conhecido mundialmente por protagonizar e escrever o seriado Chaves, exibido há 30 anos no Brasil.

A letra da música Jovem Ainda traduz bem que a velhice ou a juventude, na verdade, está dentro de cada um. É como cada qual encara, sente e vive a vida, mesmo com o passar do tempo.

Não importa quantos anos alguém possa viver, só há uma escolha entre duas alternativas: a primeira é se entregar à velhice, é achar que o fato de já ter se aposentado e estar com os filhos e netos criados é o suficiente para esperar o dia da morte. A segunda alternativa é continuar ativo, trabalhando ou praticando um hobby, viajando, participando de grupos da terceira idade etc.

Bolaños ou Chespirito, como é mais conhecido no México, atualmente está com 85 anos e só não continua trabalhando porque sua saúde está muito debilitada. Sofre de problemas respiratórios por ter fumado por quase toda a vida. “A vida foi muito boa comigo, realizei grandes sonhos e abusei muito da sorte, mas agora é hora de pagar um pouquinho pelos meus abusos”, disse em entrevista a dois fãs brasileiros que estiveram na casa do artista, em Cancun.

Roberto foi completamente ativo até os 80 anos, escrevendo peças teatrais, roteiros para desenhos animados, e cuidou dos negócios da família até então. Fez jus à letra da música que criou e só parou porque foi obrigado. Porém a alma ainda é jovem e ávida pela vida, assim como o menino Chaves.

Envelhecer com sabedoria

De acordo com o especialista em medicina comportamental Dr. José Carlos Carturan, praticar exercícios, participar de grupos da melhor idade, fazer hortas em casa, criar animais, viajar etc. certamente são alternativas para aquelas pessoas que, até então, tinham uma vida mais ativa e se deparam com uma quantidade grande de tempo disponível. “Ações como essas servem para socializar o aposentado, fazê-lo interagir com outras pessoas e manter a mente e o corpo em atividade. Aliás, atividades que sempre conciliam desenvolvimento cognitivo, exercícios para o cérebro e raciocínio, associadas à movimentação física, servem também para prevenir doenças”, esclarece.

Para ele, o Brasil, infelizmente, ainda não parece preparado para atender à nova realidade, em que a expectativa de vida aumenta e os aposentados precisam de atividades para ocupar a vida e investir melhor o tempo.

Segundo Carturan, a falta de atividades é prejudicial porque mantém o idoso sem perspectivas. “Por sentirem-se assim, acreditam que já não têm mais utilidade, e problemas como a depressão começam a aparecer”, alerta.

A psicóloga clínica Luciana Kotaka diz que o ser humano nasceu para ser ativo. Segundo ela, com a chegada da aposentadoria e a saída dos filhos de casa, é importante que se prossiga com atividades que estimulem a mente, além de propiciar prazer, ocupando o tempo, para que não fique ocioso. “É o momento de realizar atividades que, quando jovens, não conseguiam conciliar com o trabalho, atividades isentas de cobrança, realizadas por puro prazer. Quando estamos em atividade, a mente assimila outras informações que vêm agregar nessa fase da vida, estimulando a alegria, para não cair em depressão. A pessoa se sente confiante, encara esse momento de vida de uma forma mais tranquila, impedindo que o sentimento de inutilidade tome conta. As atividades em grupo e até os exercícios físicos que são indicados nessa idade ajudam a manter um círculo de amizades e troca de experiências”, comenta.

O presidente da Sociedade Paranaense de Cardiologia, Dr. Osni Moreira, opina que o comprometimento com ideias ou grupos ajuda a criar e manter metas. “Se a expectativa é não morrer, não fará nenhuma diferença, já que o final virá, no seu tempo. Mas se a expectativa é viver seu ciclo da melhor maneira possível, faz toda a diferença. Envelhecer e adoecer não são motivos de vergonha ou reclusão, são sim motivos para rever potenciais para a felicidade.”

O médico explica: “O que se pode fazer depende do contexto de vida da pessoa, de seus gostos, de sua história, de sua cultura, de suas disponibilidades. Em geral, as limitações médicas, quanto ao tipo de atividade, são mais ortopédicas que cardiológicas. Já o grau de esforço físico aplicado em cada atividade depende do estado de saúde. Como regra, embora haja exceções, a atividade física confortável é segura, seja dançar, caminhar, nadar etc.”, indica.

Na opinião de Dr. Osni Moreira, as pessoas aposentadas bem equilibradas sabem que irão envelhecer, adoecer e, um dia, morrer. “Sabem que podem um dia ter uma doença limitante, mas sabem que isto não aconteceu ainda e, talvez, não aconteça nunca. Têm certeza de que seu ciclo de vida irá acabar, mas que ainda não acabou. Sabem que o dia de hoje pode ser vivido em paz ou em angústia, conforme sua atitude em relação a ele”, reflete.

Pedagogo especialista em gestão do conhecimento nas organizações, escritor e palestrante, o professor Marcus Garcia acrescenta que todas as atividades são importantes para a pessoa da terceira idade. Conforme a idade avança, é muito importante que a pessoa mantenha-se ativa, física e mentalmente. “O que as pessoas que chegaram à terceira idade precisam ter em mente é que o fato de estarem se aposentando do trabalho não quer dizer que devam parar de ser produtivas para si e para a sociedade. Depois que se aposenta, o tempo estará ao lado da pessoa, que poderá fazer dele o que bem quiser: passear, viajar, ler, escrever, contar histórias, jogar dados, jogar xadrez, passear de bicicleta, caminhar no parque, auxiliar uma ONG, fazer um trabalho comunitário, ficar em casa sem fazer nada, namorar, ir ao cinema, praticar natação etc. Faça de tudo um pouco, mas faça o que lhe dê prazer”, aconselha.

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