Preocupação excessiva com alimentação saudável pode indicar um transtorno

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Quem sofre de ortorexia tem obsessão por alimentação saudável e só come o que passa pela própria seleção, o que impede inclusive o convívio social

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Participação Luciana Kotaka

Caio dos Reis

Do Rudge Ramos Jornal*

Contar calorias e controlar a alimentação costumam ser sinônimos de viver bem e com saúde, mas, a partir do momento em que a preocupação torna-se excessiva, transforma-se em problema, que inclusive já tem nome: ortorexia, ou seja, a obsessão por alimentação saudável.

Apesar de ainda não ser considerado oficialmente um distúrbio alimentar pelos estudiosos, o nome já é utilizado pelos médicos para classificar esse grupo. “Esse transtorno aparece quando a pessoa se torna obsessiva em relação à qualidade e procedência dos alimentos que consome”, afirmou a psicóloga especialista em transtornos alimentares Luciana Kotaka, que respondeu às questões por e-mail.

A psicóloga ainda explicou que com o tempo a pessoa passa a ser mais rigorosa, chegando até mesmo a não consumir nenhum alimento que não seja preparado por ela.

Quem tem ortorexia se diferencia de quem faz alimentação saudável pela rigidez com que conduz a dieta. Mesmo mantendo uma alimentação balanceada, quem se alimenta corretamente come com regularidade e se permite comer algo fora do saudável sem culpa, esporadicamente. Já o ortoréxico só consome o que passa pela própria seleção, o que impede em alguns casos até mesmo o convívio social.

O tratamento para esse tipo de transtorno alimentar deve ser feito por mais de um profissional. O primeiro passo é consultar um nutricionista, para ser feita uma reeducação alimentar. O psicólogo trabalha a parte emocional, cuidando dos transtornos de imagem corporal, ansiedade, depressão e autoestima. O psiquiatra não é necessário em todos os casos, mas esse profissional pode prescrever algum tipo de medicação após consulta, caso o psicólogo julgue necessário.

“Outro tratamento que pode ajudar é a terapia em grupo, que vai proporcionar aos participantes a identificação com o outro e a ajuda mútua em busca da saúde alimentar e mental”, contou Luciana.

Outros distúrbios

Além da ortorexia, há outros transtornos alimentares. O Brasil não possui dados epidemiológicos específicos, mas a incidência mundial desses transtornos atinge até 0,8% da população, dos quais 5% são jovens entre 14 e 18 anos e, aproximadamente, 90% são do sexo feminino.

A anorexia é um desses distúrbios. Ocorre quando a pessoa tem uma visão distorcida do próprio corpo. Já a bulimia é caracterizada por uma alimentação em excesso e além das necessidades, seguida por um sentimento de culpa. A pessoa que sofre da bulimia ainda provoca o vômito ou usa remédios para se livrar dos alimentos e do remorso.

*Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia da Faculdade de Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo

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