Uso de Drogas para Outras Doenças Cresce no Tratamento da Obesidade

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Consumo de remédios ‘off label’ dispara no tratamento da obesidade no Brasil.
 

Uso de Drogas para Outras Doenças Cresce no Tratamento da Obesidade

Segundo reportagem publicada, no último dia 5 de agosto, em O Estado de São Paulo, o consumo de remédios off label (indicação fora da bula) de drogas paraepilepsia, depressão e diabetes disparou no Brasil. Dessa vez, como “alternativas” no tratamento da obesidade. Isso menos de um ano após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter proibido a venda de medicamentos derivados de anfetamina para tratar a doença.

Como as opções que restaram – sibutramina ou orlistate – para o tratamento da obesidade não são eficazes para todas as pessoas, as que não conseguem emagrecer com essas substâncias têm tomado medicamentos à base de topiramato, liraglutida, bupropiona e metformina.

Essas substâncias não são proibidas, mas também ainda não foram aprovadas para o tratamento da obesidade, apesar de conseguirem a perda de peso do paciente.

Falta de Opção

De acordo com o levantamento do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos do Estado de São Paulo (Sindusfarma), feito a pedido do jornal O Estado, a venda dessas quatro drogas aumentou acima do crescimento do mercado. Isso mostra que a falta de opção de remédios para emagrecer tem feito médicos as prescreverem.

Para se ter uma ideia, o anticonvulsivante topiramato teve seu consumo elevado em 64% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2010, antes da Anvisa proibir três dos medicamentos usados para emagrecer (anfepramona,femproporex e mazindol).

Lentidão cognitiva, diminuição do raciocínio, esquecimento de palavras em um discurso e malformação fetal (risco de lábio leporino) estão entre os principais efeitos colaterais do topiramato.

Em setembro do ano passado, apontada em uma revista como droga “milagrosa” para perder peso, aliraglutide, recomendada para tratamento do diabetes e vendida com o nome de Victoza, obteve uma explosão de vendas.

Já o antidepressivo bupropiona cresceu 54,6% nos seis primeiros meses de 2012 em relação ao mesmo período de 2010, segundo a reportagem de O Estado de São Paulo.

Ainda na reportagem, a metformina, indicada para diabetes, teve o maior aumento: 100%. Mas essa porcentagem pode ser explicada porque o medicamento passou a ser fornecido de graça na Farmácia Popular.

Especialistas Comentam

Os especialistas Walmir Coutinho, presidente da Associação Internacional para Estudo da Obesidade; Márcio Mancini, chefe do setor de obesidade do Hospital das Clínicas de São Paulo; e Mario Saad, do Laboratório de Pesquisa em Resistência à Insulina da Unicamp, foram alguns dos entrevistados sobre o assunto.

Segundo Walmir Coutinho, um terço dos pacientes não responde bem à sibutramina e muitos não se adaptam ao orlistate. Assim, ele afirmou ser natural que pessoas tentem tratamentos não indicados nas bulas, uma vez que “a Anvisa retirou três bons medicamentos do mercado”.

No entanto, o Dr. Walmir alerta ser inaceitável que médicos prescrevam essas drogas a pacientes que só precisam perder três ou quatro quilos.

O Dr. Mancini ressaltou ser previsível o crescimento no consumo de qualquer medicamento para a perda de peso.

Já o professor Mário Saad estudou o mecanismo de ação do topiramato em ratos e descobriu que ele diminui a ingestão de alimentos e aumenta o gasto energético, mesmo sem exercício. “Não podemos fechar os olhos para uma doença crônica como a obesidade. Precisamos dar uma resposta à população que ficou desassistida”, declarou.

http://www.abeso.org.br/lenoticia/906/uso-de-drogas-para-outras-doencas-cresce-no-tratamento-da-obesidade.shtml

Mostrando 2 comentários
  • Cris

    Oi, amiga! Tudo bem com você? Apareci…

    Olha, já te falei outras vezes sobre isso, mas conheço muita gente que toma remédio para emagrecer como se fosse bala, essa Sibutramina eu tinha uma amiga que consumia mais isso do que água…e o pior é que você fala, as pessoas sabem do risco, mas nem ligam…

    Bjs!

  • Fabiana Tardochi

    Infelizmente Luciana, essa é uma realidade do Brasil ( e não de hoje) , que sempre que um medicamento é proibido, outros sem a menor correlação com a doença entram no lugar. É tão complicado esse lance de remédios proibidos…remédios liberados….remédios usados para outra finalidade…
    Muito bom e esclarecedor o artigo que você compartilhou.

    Um beijo e um ótimo final de semana

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