O impacto emocional da cirurgia bariátrica: questões emocionais e psiquiátricas

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A obesidade é considerada hoje como uma epidemia, que atinge crianças, adolescentes e adultos, independente da classe social. Questões ambientais aliados a questões predisponentes, são os grande desencadeadores desta problemática.

A influência sociocultural é hoje um dos fatores mais importantes na questão do culto ao corpo magro, exigindo das mulheres a busca do corpo perfeito, corpo magro, tornando-as escrava de uma ditadura da beleza, que é o corpo idealizado. A partir deste padrão rígido de beleza, constatamos o aumento significativo de transtornos alimentares. Em função da dificuldade em se manter as dietas restritivas, ocorre uma oscilação constante entre o peso e o emagrecimento, gerando o efeito sanfona.

A terapia cognitiva vem sendo de grande utilidade nas questões dos transtornos alimentares, visto que trabalha com a modificação da imagem corporal, os pensamentos e motivações, o incentivo ao exercício físico, gerando uma nova visão do processo de perda de peso.

O indivíduo obeso sofre muito com a sua imagem, a discriminação, a desmotivação que sente em relação a mudanças, entre diversos fatores que contribuem para o seu isolamento, ou mesmo para os desenvolvimentos de padrões comportamentais que lesam sua auto-estima, distorce as relações com as pessoas, e diminuem a qualidade de vida. A alimentação aparece nesse contexto como forma compensatória de situações não resolvidas, busca de satisfação imediata.

As pessoas que se sentem presas a este padrão de beleza, e buscam o emagrecimento, estão sujeitas a crises de compulsão, e conseqüentemente, a sentimentos de culpa e vergonha.

Existe a necessidade de se trabalhar o processo compulsivo, e a reeducação alimentar.

Os estudos demonstram que a comida acaba tendo à função de combater o estresse, cansaço, ansiedade, depressão, ficando clara a relação da comida com o estado emocional dos indivíduos.

A restrição alimentar acaba sendo a estratégia de perda de peso mais freqüente, e em algumas pesquisas realizadas, fica claro a relação dessa prática, ao aumento de peso e queda energética.

A terapia cognitiva tem sido um grande aliado nesse processo de resgate da auto-estima e reeducação emocional ,pelo qual o indivíduo se fortalecerá, desenvolvendo ferramentas para lidar com seu processo de emagrecimento. Se aborda as crenças a respeito da relação do corpo magro, beleza e sua ligação com a felicidade, desmascarando essas relações irreais.

É importante aliar à terapia a prescrição dietoterápica, a fim de se utilizar de processos não invasivos no tratamento. Pensaremos  a nível medicamentoso, quando o quadro de obesidade está associada a outras comorbidades que expõe o indivíduo a riscos.

O método mais eficaz no tratamento da obesidade é a cirurgia bariátrica, onde se utilizam de técnicas que limitarão a ingestão alimentar.

Em relação aos componentes de ordem psiquiátrica, não existem estudos conclusivos a respeito dos riscos dos portadores de algumas doenças psiquiátricas, como bipolaridade, depressão, e psicose quanto a bom ou mal prognóstico pós cirurgia.

Pacientes que não tem condições de compreender a necessidade deste procedimento, e de prosseguir com os cuidados posteriores, não devem fazer a intervenção.

O pós cirúrgico é o momento de maior complexidade, pois o sujeito deverá seguir de forma rígida as orientações do processo, além de se deparar com os conflitos emocionais resultantes da nova imagem corporal e dos novos hábitos alimentares.

Nessa fase que o tratamento, o psicólogo precisa motivar e levar seu paciente a aderência ao novo estilo de vida, a dieta, e prepará-lo para enfrentar essa nova etapa de sua vida, que necessita de cuidados e disposição.

 

Referências Bibliográficas

Bernardi, Fabiana; Cichelero, Cristiane ; Vitolo,Márcia Regina. Comportamento de restrição alimentar e obesidade

Vasquez, Fátima;Martins, Fernanda celeste; Azevedo, Alexandre Pinto de . Aspectos psiquiátricos do tratamento da obesidade .

Oliveira,Verenice Martins;Linardi,Rosa Cardelino;Azevedo, Alexandre Pinto.Cirurgia bariátrica, aspectos psicológicos e psiquiátricos .


Luciana Kotaka

Psicóloga especialista em obesidade e transtornos alimentares

Curitiba-PR

 

 

Mostrando 2 comentários
  • gerusa sangalli

    Muito legal essas frases e servem de estímulo para que vai operar e tbém para aqueles que já operaram.

    • Luciana

      Obrigada por participar Gerusa! Um abraço

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