O pensar gordo também afeta nossas relações pessoais

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Desenvolver a percepção de nossas necessidades é um caminho importante para mudar comportamentos

Refletindo em como funcionam as pessoas com sobrepeso/obesidade, vejo a relação entre o peso e os relacionamentos que se estabelecem de uma forma bem clara. Se puder escolher entre um pequeno brigadeiro ou um grande, é este mesmo que irá optar em comer.

Não precisamos ir muito longe para observarmos em como esses comportamentos se dão quando algumas pessoas ao entrarem a uma loja para comprar um sapato, experimentam um preto que seria o que está precisando no momento, mas acabam comprando vários outros modelos diferentes, e se percebem saindo da loja com quatro sacolas de sapatos, pois não só comprou só o par de sapatos que precisava, mas precisou se sentir satisfeito, se empanturrado de alimentos emocionais que os sapatos representavam naquele momento.

 A compulsão pode se dar em vários aspectos de nossas vidas, e cada um experimenta de forma diferente essa manifestação, um comportamento a qual chamamos de perda de controle, gerado pela necessidade de satisfação rápida.

Nas relações interpessoais, a situação se repete de uma forma mais disfarçada e menos visível aos olhos das pessoas envolvidas. A compulsão vem transvertida através da necessidade do outro nos completar, uma necessidade que também tem a função de satisfação de necessidades.

Fica claro tanto na clínica como também nas vivências pessoais várias relações nas quais podemos detectar um adoecimento do afeto, uma necessidade de que o outro nos complete e possa preencher nossos anseios, vazios, solidão e angústias.

A partir deste ponto podemos detectar que uma grande parte das pessoas pensam gordo, e acreditam realmente que o outro deva encarnar a sua idealização, e se decepcionam quando se deparam com as diferenças, com a não completude de seus pensamentos, seu corpo (simbiose), e na seqüência, cortam as suas relações, destrói o outro. Quem já não vivenciou essa situação ou mesmo percebeu no outro essa atitude?

O outro o decepcionou, não deliberadamente, mas por ser justamente – O OUTRO, com anseios, desejos, crenças, referências diferenciadas, e que realmente não vai e não pode, se colar ao desejo e no anseio do amigo.

Penso na relação do pensar gordo nesse aspecto, do desejar mais, querer que o outro seja o maior dos amigos, o melhor, o mais compreensivo, o mais presente, para justamente compartilhar a forma de ver e vivenciar as situações do dia a dia, o pensamento mágico de que tudo vai melhorar, se o outro os preencher.

E a comida, não é essa a função que ela exerce nas pessoas que comem demais? A necessidade de ingerirem uma grande porção de comida para sentirem-se satisfeitos? A comida que entra como substituto do afeto, do toque, do beijo, da atenção? É importante parar para refletir no como nos relacionamos com as pessoas, se não estamos exigindo comportamentos que ultrapassam a linha do que seria o normal para que duas pessoas possam conviver em harmonia sem sentirem-se lesados pela demanda do parceiro, do amigo, da família.

Vale parar e refletir no como estabelecemos nossos vínculos, pois sempre há tempo de mudar nossos posicionamentos e buscar nos alimentar de outras formas que nos daria prazer, sem grudar em somente a algumas pessoas, podendo ampliar nossa rede de contato e principalmente de situações que também nos traz prazer em nossas vidas.

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Comentários
  • Vanessa

    Olá, Lu.
    Eu sou muito anciosa e já fui muito compulsiva. Comprava por impulso, comia por impulso…
    Hoje em dia estou conseguindo me controlar, quase nunca compro coisas das quais eu me arrependa depois, ou que não precise realmente. E com a comida, já faz muitos meses que isso não acontece.
    Mas, as vezes, estamos nessa situação e nem dos damos conta. O alerta é muito válido.
    Bjoks

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