De mal consigo mesmo

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Pesquisa recente feita, no Rio de Janeiro, pelo Instituto Ideafix ouviu 800 mulheres, de 18 a 45 anos, sobre autossatisfação com o peso e o corpo, e concluiu que quase 70% querem emagrecer, sendo que 52,1% seriam felizes com 5 quilos a menos, e 47,4%, se perdessem 10 quilos. O descontentamento com o próprio corpo é maior que a preocupação com a saúde: para 47,2% a motivação para se exercitar seria perder peso; enquanto 69,3% não praticam exercício por alegada falta de tempo.

Preocupar-se com a aparência é normal. Inquietantes são o exagero e as metas irrealistas: as mulheres que responderam à pesquisa, e tantas outras, precisam realmente perder 5, 10 quilos? Elas estão acima do peso ou querem um número que não combina com seu biotipo? Segundo a mesma pesquisa, 19,2% já desistiram de ir a uma festa por se sentirem gordas, abrindo mão de prazer e diversão. Por quê? Vergonha, sentimento de inadequação, medo de comentários? Se isto se torna constante, é sintoma de problema.

Pensamentos que indicam autoavaliação negativa (não tenho valor, sou um fracasso) acionam emoções como tristeza, raiva, culpa, que produzem comportamentos evitativos (como não ir a uma festa, por exemplo) ou sabotadores (abandonar a dieta ou outro projeto). O indivíduo cai numa espiral descendente de autorrecriminação, frustração e sensação de incapacidade, colecionando malogros. As previsões se cumprem não porque era inevitável, mas por todo um contexto psicológico e emocional.

Perder peso e medidas não garante felicidade ou sucesso, quando o problema não está na balança nem na fita métrica. É importante ter autoestima elevada e sentir-se bem e bonita: a força vem de dentro de cada um, das emoções e pensamentos, que determinam as atitudes. Bons pensamentos e emoções positivas favorecem a realização de projetos, a superação de obstáculos, a conquista de sonhos. Quem está bem consigo mesmo não é escravo de padrões, da moda nem da opinião alheia.

Fica então a pergunta: qual a causa do percentual tão elevado de insatisfação nas mulheres ouvidas pela pesquisa? Está comprovado que muitas mulheres que manifestam o desejo de emagrecer já estão no peso ideal; e aquelas que estão ligeiramente acima do peso superestimam os quilinhos extras, afirmando ter que perder mais do que o aceitável. Isto indica distorção de imagem: a pessoa não se enxerga como realmente é, nem se satisfaz com sua forma. A insatisfação interna das mulheres se reflete no espelho, porém não será resolvida com dieta.

Psicóloga Maria Cristina Britto

www.psicologiaesaude.com

 

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