Técnica minimamente invasiva obtém sucesso no tratamento do diabetes tipo 2, revela estudo brasileiro

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  Thamires Andrade

Uma nova técnica minimamente invasiva obteve sucesso semelhante ao da cirurgia bariátrica no tratamento de pacientes com diabetes tipo 2. De acordo com pesquisa conduzida por especialistas brasileiros do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo. O método, chamado de “manga intestinal endoscópica” ou “exclusão duodenal”, diminui a resistência à insulina. Ao longo de um ano, 75% dos 16 pacientes submetidos à operação tiveram redução significativa dos índices de glicemia.

A técnica consiste em implantar um dispositivo impermeável, chamado de “endobarrier”, para revestir o duodeno e excluir o papel dessa parte do intestino na digestão.  “A comida entra e não tem contato com a parede do intestino, isso faz com que órgão pare de fabricar hormônios produzidos nesta etapa, melhorando a produção de insulina pelo pâncreas”, explica Almino Ramos, presidente da SBCBM (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica).

Criado com base na cirurgia bariátrica, o método menos invasivo pode ser realizado por endoscopia ou videolaparoscopia. “Os resultados são semelhantes em ambas as abordagens. Portanto, para casos menos graves e iniciais de diabetes é mais indicado fazer por endoscopia, que é a opção menos invasiva. Já os mais complexos, quando há muito excesso de peso, o ideal é fazer a operação por vídeo”, recomenda Ramos.

A colocação do dispositivo deve ser feita numa fase do diabetes em que ainda é possível reverter a função pancreática. “A doença é crônica e progressiva, portanto não adianta colocar o dispositivo quando a capacidade do pâncreas de produzir insulina for nula. Ele é indicado para os pacientes que tomam medicação regularmente e não conseguem controlar o diabetes tipo 2”, destaca Ramos.

A técnica praticamente é livre de efeitos colaterais. O presidente da SBCBM explica que alguns pacientes podem ter alguns problemas gastrointestinais nas duas primeiras semanas. “É comum sentir um pouco de náuseas e cólicas no estômago, mas depois de tomar medicação e se adaptar ocorre uma melhora”, orienta.

O procedimento é reversível e tem duração de um ano. “Hoje, a recomendação é que o tratamento não ultrapasse um ano; o dispositivo deve ser retirado e recolocado só depois de dois meses”, explica Ramos. Esse benefício faz com que os médicos possam indicar o procedimento para pacientes em que ainda não se sabe se a cirurgia bariátrica traria bom resultado. “Ele é menos invasivo e tem os mesmo benefícios. Se ele for eficiente, significa que a cirurgia também será e o paciente pode ser submetido a ela.”

O método é contraindicado para pacientes com diabetes tipo 1, visto que não existem estudos que comprovem eficácia da técnica para esses pacientes, e em casos de úlceras e inflamações. “Para colocar, é necessário tratar úlceras e inflamações antes”, explica.

Já utilizado em pesquisas clínicas no mundo há 10 anos, o método deve ser aprovado pelo Ministério da Saúde ainda este ano. “No Brasil ele já é testado em pesquisas há 4 anos e, no mundo todo, pelo menos 500 pacientes já foram submetidos ao procedimento”, diz Ramos.

O dispositivo já é comercializado em vários países da Europa e no Chile. “A FDA (agência reguladora de alimentos e medicamentos nos EUA) também já começou seus próprios estudos sobre o produto”, acrescenta.

Custo-benefício

Com a vantagem de ser menos invasiva e reversível, a exclusão duodenal não tem a mesma eficácia das cirurgias bariátricas invasivas. “A lógica é simples: uma técnica menos invasiva, como colocar um anel no estômago, é menos eficaz para o diabetes tipo 2 do que uma redução de estômago com desvio de intestino. As técnicas mais invasivas são mais eficientes”, explica Ramos.

Já o custo-benefício do procedimento é um outro atrativo para quem busca opções para curar o diabetes tipo 2. “O procedimento ainda não é aprovado no Brasil para eu dar um valor exato, mas o custo é metade do valor de uma cirurgia bariátrica por videolaparoscopia”, revela Ramos. O valor médio de uma operação por vídeo varia de R$ 15 a 25 mil, segundo a SBCBM.

Peso e colesterol

O estudo avaliou a segurança do método em indivíduos com diabetes tipo 2 e IMC inferior a 35 (sobrepeso e obesidade leve). Um ano após a operação, 12 pacientes tiveram queda elevada dos índices que monitoram a glicemia no sangue e aumentaram a sensibilidade do organismo à insulina. Apenas quatro pacientes não responderam satisfatoriamente ao dispositivo de exclusão duodenal. Os cientistas mantiveram o uso do antidiabético oral metformina durante os 12 meses de observação.

Depois de 52 semanas, o peso também foi reduzido. A média de IMC do grupo passou a ser de 28,5 uma redução média de 3,6 kg/m². Mas os pesquisadores concluíram que a melhora provocada pelo dispositivo a partir da primeira semana após a cirurgia não tem relação direta com a perda de peso.

O estudo também revelou melhora em outros indicadores metabólicos. Ao final de um ano, a taxa de colesterol dos pacientes teve redução média de 135 mg/dL para 108 mg/dL e o nível médio de triglicérides passou de 299 mg/dL para 219 mg/dL. Ambos indicam uma resposta metabólica significativa no controle de doenças cardiovasculares.

http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2013/02/21/tecnica-minimamente-invasiva-obtem-sucesso-no-tratamento-do-diabetes-tipo-2.htm

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