Vigorexia

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É o nome de um transtorno de imagem que faz com que as pessoas fiquem viciadas em malhação. Parece vigor físico, mas é doença.

Toda vez que Roberta Bernardo, 28 anos, encara o espelho, sugere a si mesma alguma mudança em seu corpo. As coxas são torneadas de tanto exercício, mas ela acha que são finas e disformes. Mesmo elogiada pelas amigas e paquerada pelos homens, a estudante de pós-graduação em marketing não consegue enxergar seu verdadeiro reflexo. Na esperança de mudar o que vê, entrega-se a uma malhação alucinada, sete dias por semana. Faz agachamento (“Trabalha perna, coxa e glúteos” garante). Faz leg press (“Coloco bastante peso para trabalhar melhor o músculo da perna”). Faz remada unilateral (“Ë bom para costas e ombros”). Faz ombro. E faz peito, costas, bíceps, tríceps. Mas acha pouco. E ainda pratica boxe e muay thai, arte marcial tailandesa.

Quando não consegue se exercitar, Roberta cai em depressão. “Se não malho, fico péssima. Não tenho vontade de fazer mais nada, só de chorar. Malhar é a minha vida!’ atesta. Desconfiada dos próprios exageros, ela decidiu procurar um psicoterapeuta. No consultório, ouviu o diagnóstico: ela é viciada em malhação ou, como os médicos preferem chamar, sofre de vigorexia.

Imagem distorcida
Essa doença de nome estranho também é conhecida como síndrome de Adônis. É mais comum em homens, mas mulheres não estão livres dela. Pela descrição dos especialistas, a vigorexia é um transtorno disfórmico muscular, uma patologia obsessiva-compulsiva com características semelhantes a transtornos alimentares, como a anorexia e a bulimia.

“As pessoas que têm esse problema olham para o espelho e acham que falta algo: que o braço é pequeno, que a barriga está flácida. E, apesar de fazerem exercícios físicos, nunca estão satisfeitas com o corpo. Enxergam o reflexo no espelho menor do que realmente é”, explica a nutricionista Fernanda Timerman, mestranda em prevenção de transtornos alimentares e imagem corporal na Universidade de Sydney, na Austrália.
Pesquisa realizada pela Universidade de Havard, nos Estados Unidos, comprovou que a vigorexia atinge 11% dos norte-americanos que frequentam regularmente academias de ginástica. “Embora os critérios médicos para a doença ainda não estejam bem definidos pelos manuais de psiquiatria, sabe-se que a doença tem fundo psicológico – e não físico”, diz o psiquiatra Fábio Salzano, vice-coordenador do Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Falsa saúde
Ao contrário da maioria dos distúrbios de imagem, a vigorexia tem diagnóstico difícil. Saber se uma pessoa simplesmente sente prazer em se exercitar muito ou tem comportamente compulsivo é uma linha tênue que, muitas vezes, engana parentes, amigos e as próprias vítimas da doença. Quem sofre de anorexia, por exemplo, emagrece a olhos vistos. Já a malhação acentuada pode ser confundida com sinal de saúde, de vigor físico. Por isso é tão complicado constatar quando uma mulher bombada precisa de tratamento.
Os próprios sintomas da vigorexia não são tão fáceis de ser evidenciados. Cair em depressão caso não consiga realizar os exercícios é um deles. Mas isso pode acontecer também com alguém que está acostumado a malhar com regularidade e, de repente, cai no sedentarismo. Isso porque o nível de endorfina – substância responsável pela sensação de ânimo e disposição liberada em níveis maiores quando fazemos atividades físicas – tende a cair muito quando alguém que costuma colocar o corpo em movimento para de vez.
No caso de Roberta, por exemplo, a sensação de desespero e angústia é imediata. Se ela parar, vem a crise de abstinência. “Quando não faço ginástica, fico louca”, conta. Depois que começou a se tratar, ela não diminuiu o número de horas na academia, mas as sessões de terapia e os antidepressivos diminuíram a ansiedade que ela sente quando não consegue se exercitar.

Os sinais mais fortes de que a vigorexia pode ter se instalado na mente de um corpo saudável são mesmo a visão distorcida que a pessoa tem dela mesma diante do espelho, o isolamento social e, muitas vezes, a preocupação excessiva com a alimentação para acelerar o crescimento muscular – muitas vezes com o uso de suplementos vitamínicos e anabolizantes.
Estudo realizado com 413 frequentadores de dezessete academia na cidade de São Paulo constatou que a média de tempo gasto por eles é de onze horas semanais, enquanto o recomendável pelo Colégio Americano de Medicina Esportiva são sete horas.

Você adora se acabar na malhação e ficou em dúvida se pode estar no limite entre a saúde e a compulsão? “Então, precisa respeitar os sinais de alerta que o corpo dá”, explica Turíbio Leite de Barros Neto, médico fisiologista do São Paulo Futebol Clube. “Qualquer excesso de atividade física emite um sinal. Dor, mudanças bruscas de humor, alterações de sono e apetite apontam para o estresse que pode estar sendo causado pelo excesso de malhação. Dores musculares, por exemplo, são sinal de exagero”, completa ele.

http://www.topgyn.com.br/home/index.php?news=29508

Comentários
  • solange

    Pois é, né asiga… tudo que é demais é nocivo.
    Simples!
    bjs

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