6 sinais de que você está exagerando na dieta

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midia-indoor-economia-ciencia-e-saude-compra-comida-alimento-alimentacao-fruta-verdura-legumes-cesta-supermercado-mercado-agricultura-preco-alta-pao-dieta-boa-forma-nutricao-1395419091187_300x300Entrevistada Luciana Kotaka

Por Uipi

Atualmente, existe, de forma geral, uma preocupação crescente por parte da população em manter uma alimentação saudável e seguir bons hábitos de vida. Mulheres e homens, de todas as idades, por exemplo, vão à academia diariamente, dão preferência aos produtos naturais e tentam, ao máximo, evitar o consumo de alimentos e bebidas que possam trazer prejuízos à dieta.

Muitas vezes, a escolha da pessoa em seguir uma dieta saudável não está relacionada à questão estética, mas, sim, diz respeito a um cuidado maior com a sua saúde em geral.

Luciana Kotaka, psicóloga especialista em Obesidade e Transtornos Alimentares, coautora dos livros “Comportamento Magro com Saúde e Prazer” e “Estômago Magro versus Pensamento Gordo”, explica que hoje temos uma maior conscientização dos benefícios de uma alimentação saudável e equilibrada, sabemos o quanto os alimentos servem para prevenir doenças e proporcionar saúde.

“Recentemente, uma pesquisa comprovou que, em pessoas acima do peso, mesmo apresentando exames médicos bons, o risco cardíaco ainda é grande. Desta forma, só vem reforçar a necessidade de manter o corpo no IMC normal. Mas, isso não quer dizer que devemos cultuar o corpo magro e, sim, o corpo saudável”, destaca a psicóloga.

Porém, é fato, também, que algumas pessoas adotam uma alimentação saudável, aliada à prática de atividade física, pensando, em primeiro lugar, numa melhora física. E, claro, essa não é uma medida negativa, muito pelo contrário: a pessoa que percebe que está acima do peso e se incomoda com isso, por exemplo, deve mesmo seguir uma dieta de emagrecimento – que, com certeza, só trará resultados positivos à sua vida e sua saúde.

 Mas, a partir do momento que a preocupação em emagrecer ou, simplesmente, “manter o corpo em forma”, começa a atrapalhar a vida da pessoa – interferindo, por exemplo, em suas relações sociais – a situação muda completamente. Algumas atitudes, como deixar de ir a eventos sociais para não comer nada diferente do que está estabelecido na dieta, pensar o tempo todo em medidas para perder peso, conversar somente sobre alimentação e atividades físicas, entre outras, podem estar demonstrando que a pessoa está exagerando na dieta.

Se você se identificou com algum desses exemplos, fique atenta: será que não está exagerando na preocupação com a sua dieta?Confira abaixo outras atitudes que podem estar mostrando isso.

1. Você se tornou muito rígida com a escolha dos alimentos

É claro que prezar por uma alimentação saudável é importante, e um hábito totalmente positivo. “A questão começa a ser preocupante a partir do momento que a pessoa só come o que passa pelo seu crivo como alimento correto. Os alimentos passam a ser escolhidos de forma rigorosa, por exemplo, tudo deve ser sem agrotóxicos, ela precisa saber sempre a procedência dos produtos, todos os rótulos são lidos de forma criteriosa etc.”, diz Luciana.

“Muitos desses comportamentos, claro, são importantes, porém, o diferencial é que essas pessoas não se permitem comer em um evento social e acabam se afastando até da família, pois não consomem nada que não esteja pré-programado e avaliado. Dessa forma, quando o comportamento passa a ser impeditivo e limitante é chamado de Ortorexia”, explica a psicóloga especialista em transtornos alimentares.

2. Você se tornou obcecada pela balança

Algumas pessoas sobem na balança todos os dias, com a ideia de que não “podem perder o controle sobre o seu peso”. Muitas, inclusive, compram uma balança para poderem se pesar com mais frequência em casa. Será que esse é um hábito importante ou pode ser, também, um sinal de que a pessoa está exagerando na preocupação com sua dieta?

Luciana Kotaka explica que a questão de se pesar todos os dias é muito particular. “Algumas pessoas utilizam esse método como forma de controlar o peso, pois temem perder o foco de sua dieta. Na minha concepção, pode se tornar um comportamento compulsivo, pois o ideal é pesar-se somente nas visitas ao médico e ao nutricionista. Até porque sabemos que, se comemos de forma equilibrada, estamos perdendo ou mantendo o peso; e se perdemos, as roupas irão denunciar”, diz.

“O caminho adequado não é tornar-se escrava da balança, mas, sim, ter um ‘comportamento magro’ e escolher o que se come no dia a dia focando em qualidade”, acrescenta a profissional.

3. Você está se afastando dos seus amigos

Você tem recusado convites para sair com seus amigos para não comer e nem beber nada diferente do que está estabelecido no seu cardápio?! Evita ir a festas de aniversários para não “precisar” comer um pedaço de bolo? Tem dado preferência a conversar somente com seus colegas da academia ou com outras pessoas que também se preocupam com a alimentação?

Esses são alguns sinais importantes de que você está exagerando na preocupação com a dieta!

A busca excessiva por emagrecer, ou seguir uma dieta totalmente saudável, faz, muitas vezes, com que a pessoa se afaste do seu círculo de amizades e até de pessoas da sua família.

“Essa situação é bem frequente, pois essas pessoas começam a ser ‘pressionadas’ pelos amigos, família, sendo mais fácil se afastar do que mudar a crença desenvolvida. Os próprios amigos também se afastam, pois, além de acharem estranho tais escolhas, se cansam das exigências e das negativas frente a convites oferecidos”, destaca Luciana Kotaka.

4. Você mantém segredo sobre a sua dieta

Cansada de ouvir críticas em relação à sua preocupação em emagrecer – ou, simplesmente, manter uma alimentação saudável –, você evita comentar com seus amigos e familiares que está seguindo determinada dieta, tomando algum suplemento ou até medicamento?!

Esse é mais um sinal de que você está exagerando na preocupação com a dieta! Afinal, seus amigos e familiares, provavelmente, só dão conselhos porque se preocupam e querem o seu bem. Se você “esconde” esse tipo de informação deles, é porque, no fundo, sabe que está fazendo “algo errado” a si mesma.

Então, quando algum deles disser que você, de fato, está exagerando nas atitudes que toma em função da dieta, que tal refletir melhor sobre isso?

5. Você pensa praticamente o dia todo na dieta

Soa até estranho, mas, de fato, existem pessoas que passam praticamente o dia todo pensando em assuntos relacionados à sua alimentação e/ou à perda de peso. Acordam e vão dormir planejando o que vão comer na próxima refeição, que tipo de atividade física vão praticar para queimar as calorias ingeridas, quais medidas podem tomar para não “boicotar” a dieta etc.

Por isso, se você se identifica com esse tipo de atitude, reconheça que está exagerando na preocupação com a dieta!

Planejar a sua alimentação diariamente para não “escapar” da dieta, se esforçar para praticar atividades físicas todos os dias, tentar seguir à risca tudo o que está no cardápio, entre outros pontos, são hábitos muito positivos, mas, como tudo nessa vida, devem ter um limite.

6. Sua felicidade está totalmente relacionada com o seu peso e/ou sua alimentação

Sentir-se feliz por ter perdido alguns quilinhos após algum tempo do início da dieta não é pecado. Muito pelo contrário: é consequência dos bons resultados conquistados, provavelmente, por meio de uma alimentação balanceada e da prática de atividades físicas.

A questão passa a ser preocupante a partir do momento que a perda ou a manutenção do peso transforma-se no seu maior objetivo de vida, e qualquer “probleminha” com o andamento da sua dieta gera desanimo e sofrimento.

“Quando estar magro se torna a única meta e ‘alegria’ na vida de alguém, a situação é realmente preocupante e acaba trazendo uma série de problemas pela não aceitação corporal. As relações entre casais, por exemplo, ficam afetadas… É frequente mulheres relatarem que se esquivam de ficarem nuas na frente do esposo ou até mesmo de ter relações sexuais, pois se sentem péssimas quando estes tocam seu abdômen e costas, por exemplo”, explica Luciana Kotaka.

A psicóloga destaca que, se você se identifica com essa situação, é importante procurar um psicólogo especialista em transtornos alimentares e obesidade, “para que, com ajuda profissional, você possa restabelecer um vínculo com seu corpo, um olhar com afeto e aceitação corporal”.

A possível relação entre a preocupação excessiva com o emagrecimento e os transtornos alimentares

Se a pessoa está buscando emagrecer de maneira correta, ou seja, seguindo uma alimentação saudável e completa, praticando atividades físicas e, de preferência, sendo orientada por profissionais habilitados para isso (como nutricionistas e educadores físicos), a dieta tende a trazer somente bons resultados (além do emagrecimento em si, mais saúde e qualidade de vida).

Porém, quando a preocupação com o emagrecimento torna-se excessiva, em alguns casos, a pessoa pode buscar “caminhos alternativos” para alcançar seus objetivos mais rapidamente: planos alimentares totalmente restritivos, o uso inadequado de medicamentos, as chamadas dietas da moda etc. – o que, possivelmente, trará prejuízos à sua saúde.

Um bom exemplo disso é a possibilidade de a pessoa desencadear algum transtorno alimentar.

“Os transtornos alimentares podem ser desencadeados por dietas restritivas e desequilibradas. Claro que a percepção da imagem corporal também está muito prejudicada, pois, muitas vezes, eles ocorrem em pessoas com peso normal e dentro do esperado para altura e estrutura óssea”, explica Luciana Kotaka.

De acordo com a especialista, um dos transtornos mais comuns é a Anorexia Nervosa, onde a pessoa desenvolve um controle sobre sua alimentação, passando a fazer jejuns prolongados e/ou refeições muito restritivas, perdendo peso de forma assustadora e patológica.

“A Bulimia é outro transtorno, onde se come em excesso e a pessoa recorre a vômitos autoinduzidos para tentar eliminar o excesso cometido. Ela pode-se utilizar também de laxantes, diuréticos e enemas. Na Bulimia, se estabelece um ciclo de compulsão, onde se come e vomita”, explica Luciana.

A psicóloga cita ainda o Transtorno da Compulsão Alimentar Periódicas (TCAP), “onde essas crises de perdas de controle devem acontecer pelo menos duas vezes na semana por um período de três meses”.

A Ortorexia, já citada acima pela especialista, surge quando a pessoa se torna obsessiva quanto aos padrões daquilo que come, permitindo-se consumir apenas alimentos considerados saudáveis.

Quando procurar ajuda?

Se você se identificou com todos ou com a maioria dos sinais citados acima, é interessante buscar ajuda profissional.

“Em todas as áreas de nossa vida devemos procurar ter equilíbrio. E com a alimentação também funciona assim. Comer em demasia, comer de forma restritiva ou mesmo com excesso de critérios em suas escolhas pode ser patológico e, para tudo que foge do controle e causa outros problemas orgânicos, deve-se procurar tratamento”, finaliza a psicóloga Luciana Kotaka.

 Dessa forma, lembre-se: seguir uma alimentação saudável e praticar atividades físicas com frequência são hábitos totalmente positivos, porém, estes não devem ser seus maiores objetivos de vida e, sim, algumas das medidas que você toma para ter mais qualidade de vida.

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