Você é viciado em calorias?

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Dr. Cristiano Nabuco

Pois é, pode parecer uma pergunta bastante estranha, mas é o que indica uma nova pesquSaiba que os centros de prazer do cérebro podem ser afetados quando uma pessoa se alimenta de comidas excessivamente ricas em gorduras e calorias e estas práticas podem levar a hábitos de alimentação descontrolada, podendo contribuir, inclusive, para o desenvolvimento da obesidade.

Uma nova pesquisa que acaba de ser publicada no The American Journal of Clinical Nutrition revelou que consumir muitos carboidratos pode causar mais fome e estimular regiões do cérebro envolvidas com a sensação de recompensa, aumentando assim as chances de compulsões alimentares (que significa, caso você ainda não saiba, comer descontroladamente).

O estudo procurou saber como o padrão alimentar poderia modificar os centros de prazer do cérebro e os níveis de dopamina no organismo (eu explico: a dopamina é um neurotransmissor que é liberado quando obtemos algum tipo de recompensa agradável).

Conforme vários estudos já indicaram, esse mecanismo do cérebro está igualmente envolvido nas dependências de drogas, o que levanta a questão então da possível existência de um “vício alimentar”, hipótese há tempos levantada.

A pesquisa

Nessa investigação, os especialistas monitoraram as funções cerebrais através de exames de ressonância magnética ao longo de quatro horas (após os participantes terem consumido suas refeições) e descobriram algo muito interessante: que a forma como os indivíduos se comportavam nas próximas refeições, dependia diretamente da maneira pela qual eles haviam se alimentado antes.

Os participantes escolhidos foram pessoas com sobrepeso ou obesidade e lhes foram apresentados milk shakes (que, como você sabe, são altamente calóricos) e preparados para ter (a) um alto índice glicêmico ou (b) um baixo índice glicêmico, de acordo com os ingredientes usados.

Quanto maior foi a quantidade de calorias ingeridas, maiores foram os níveis de açúcar no sangue e, assim, maior foi a propensão desses indivíduos apresentarem um episódio de compulsão alimentar nas 4 horas posteriores.

Isso ocorreu, pois exatamente nesse período – quando a quantidade de açúcar no sangue começava a declinar – o cérebro dos participantes começava a se comportar de forma similar a pessoas com vícios em drogas em processo de “fissura” (que é aquele estado em que o dependente químico enfrenta quando aparece uma vontade incontrolável em beber/usar drogas novamente).

Esses dados já haviam sido confirmados por outros estudos, onde os participantes eram divididos em grupos que consumiam doces e outros que comiam vegetais e frutas.

Os resultados destas outras pesquisas indicaram então que, quanto mais se consomem doces, maior será a vontade de continuar comendo alimentos açucarados em sequência.

Açúcar é tão viciante quanto cocaína e heroína

Em outro estudo, publicado na famosa revista Neuroscience, foi demonstrado também que a “hiperalimentação”, ou seja, esse excesso de consumo calórico pode continuar, mesmo quando as consequências são desagradáveis. Em modelos animais, por exemplo, onde eles deveriam andar sobre uma superfície eletrificada para chegar à comida – e que deveria, obviamente, causar uma reação traumática – ainda assim isso não os impedia de buscar os alimentos, apesar dos choques.

Os pesquisadores responsáveis por essa investigação também descobriram que a atividade cerebral observada nos centros de prazer ficava menos sensível, e as cobaias tendiam a responder cada vez menos a opções saudáveis e balanceadas de alimentos, procurando alimentos com sabores sempre mais acentuados (como é o caso de alimentos ricos em gordura, sódio e açúcar, por exemplo).

O dado preocupante aqui foi que as respostas apresentadas, segundo os pesquisadores, foram as mesmas que já haviam sido observadas em ratos que foram induzidos ao vício de cocaína e de heroína.

Três tipos de fome

Embora parte do descontrole que muita gente enfrenta no trato com a comida possa ser decorrente de fatores psicológicos, ambientais e/ou orgânicos, vale a pena estarmos atentos a forma com a qual nos alimentamos, pois ela pode, como descrito acima, estar contribuindo de maneira decisiva no estabelecimento de uma alimentação mais saudável.

Alguns pesquisadores que trabalham com os transtornos alimentares afirmam existir, na verdade, 3 tipos de fome: a física, a emocional e a social.

A fome social estaria ligada ao ambiente em que as pessoas vivem e naturalmente os estimulam a um determinado tipo de alimentação. Por exemplo, vamos nos lembrar dos buffets infantis onde literalmente fazemos um esforço sobre-humano de controle daquilo que ingerimos (e normalmente sem grande sucesso, diga-se de passagem). Assim, a fome social estaria ligada diretamente às opções de alimentos disponíveis no ambiente.

Há também, além desta, a fome emocional. Bem, esta nos faz comer de maneira desmedida quando vivenciamos aqueles estados de desconforto psicológico como angústia, tristeza, ansiedade etc, ou seja, a alimentação rapidamente nestes casos se torna uma forma de se anestesiar dos estados emocionais mais agudos de agitação e de intranquilidade, pois rapidamente mudamos nosso foco de atenção e assim comemos, mesmo sem ter fome.

E, finalmente, existe a fome física. Aquela que faz a sua barriga roncar ou que nos deixa enfraquecidos após muito tempo sem qualquer ingestão de alimentos.

Dicas para evitar o ciclo vicioso

Assim, fique atento ao fato de que o estado final que se denomina “fome”, na verdade, consiste em uma combinação destes 3 tipos de apelos (físico, emocional e ambiental) e que, se bem manejados, podem contribuir para um melhor estado de saúde.

Portanto, da próxima vez que você for comer, procure pensar o que efetivamente você está, na verdade, tentando “alimentar”, ou seja, se sua fome do corpo, do ambiente ou de suas emoções não resolvidas.

Posso apostar com você que a última sempre tem um peso bastante expressivo.

Pense nisso.

http://cristianonabuco.blogosfera.uol.com.br/2013/07/05/voce-e-viciado-em-calorias/

Mostrando 2 comentários
  • Vanessa

    Olá.
    Amei este post. Na verdade estou vivendo um momento que está testando meu auto controle diante da comida. Estou largando o vício do cigarro e tentando não cair de vez na compulsão alimentar em troca.
    Bjoks

  • Vanessa

    Olá.
    Amei este post. Na verdade estou vivendo um momento que está testando meu auto controle diante da comida. Estou largando o vício do cigarro e tentando não cair de vez na compulsão alimentar em troca.
    Bjoks

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